Conscientizar a população para a necessidade de reduzir os fatores de risco, o desenvolvimento da doença e o número de mortes por hipertensão arterial, obesidade e outras complicações, como acidente vascular cerebral (AVC) e falência dos rins é o objetivo da programação alusiva ao Dia Nacional de Combate ao Diabetes, comemorado neste domingo (26).
A data é um momento especial para reiterar a importância da manutenção de hábitos saudáveis, mostrando à população formas de prevenção e tratamento do diabetes, que já atinge doze milhões de brasileiros – mais de 60.914 no Pará. O Centro Hospitalar Jean Bitar atua no combate à doença e mensalmente faz dez cirurgias bariátricas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo o endocrinologista Fernando Flexa, diretor técnico do hospital, o tratamento da obesidade pode impedir a progressão de pré-diabetes para diabetes mellitus tipo II (quando o organismo não consegue usar adequadamente a insulina que produz, ou não produz insulina suficiente para controlar a taxa de glicemia), passando a ter papel importante no controle metabólico de pacientes portadores de diabetes mellitus e com aumento de peso.
Peso - O medo de evoluir para o quadro de diabetes tipo II levou o instalador Paulo Henrique Lameira Magalhães, 43 anos, a buscar no ano passado ajuda profissional com um endocrinologista, quando chegou a pesar 133 quilos, e constatar que estava com altas taxas de triglicerídeos e colesterol, além de pressão alta. Após avaliação médica, Paulo Henrique fez a cirurgia bariátrica, em setembro de 2015. Hoje, com 40 quilos a menos e a autoestima elevada, ele comemora essa nova fase da vida. “Minha meta é perder mais doze quilos”, diz ele, confiante na melhoria da qualidade de vida.
Casado e com dois filhos menores, Paulo Henrique garante que agora aproveita muito mais a vida com sua família. “Antes, era tudo era mais difícil. Mas com uma dieta balanceada sinto-me bem melhor. Agora, tenho que seguir o plano de atividade física rigorosamente”, informou, reiterando a importância do apoio profissional para quem, assim como ele, enfrentou a obesidade mórbida.
Para quem está em busca de tratamento, o médico Fernando Flexa orienta que o acesso ao serviço começa por uma consulta na Unidade Básica de Saúde, que encaminha o paciente para avaliação com o endocrinologista, profissional que verifica a necessidade ou não da cirurgia. O procedimento é indicado apenas em casos de obesidade grau 3, quando o Índice de Massa Corporal (IMC) está acima de 40 ou para pacientes cujo IMC está entre 35 e 40, mas que apresentam outras doenças relacionadas à obesidade, como diabetes de difícil controle, hipertensão e doenças osteomusculares.
Acompanhamento – Feita somente pelo Centro Jean Bitar no âmbito do SUS, a cirurgia bariátrica proporciona uma perda de 20 a 30% do peso corporal. No entanto, o médico Fernando Flexa adverte que não se trata de uma cirurgia de urgência, já que é eletiva, e requer um acompanhamento pré e pós-operatório. Após a cirurgia, o paciente permanece internado de cinco a sete dias. A alimentação passa por um processo de evolução. “No geral é uma cirurgia de baixo risco e taxa de mortalidade de apenas 0,5%. Da mesma forma, a taxa de complicações relacionadas à cirurgia é de apenas 3%”, assegura o diretor.
A taxa de reganho de peso é considerada baixa, ficando em torno de 20%. Dessa forma, todo o acompanhamento pré e pós-operatório é realizado por uma equipe multiprofissional, composta por médico, enfermeiro, nutricionista, endocrinologista e psicólogo. Para maior qualidade de vida, Fernando Flexa sugere hábitos mais saudáveis, como maior ingestão de fibras e frutas, evitar carboidrato e praticar atividade física. “Aqui no Jean Bitar o usuário conta com toda a equipe multiprofissional capacitada para o melhor atendimento, acompanhamento e tratamento, principalmente por se tratar do único local com esse serviço pelo SUS no Pará”, enfatiza.
Mutirão – Para agilizar o atendimento aos usuários, a equipe hospitalar está fazendo um levantamento técnico para a realização de cirurgias diversas. “Em uma semana de intenso trabalho conseguimos entrar em contato com 110 pacientes, e 63 deles já tiveram autorização para o procedimento. Apenas sete passarão por nova avaliação”, informou Giovani Merenda, diretor executivo do Jean Bitar. Ele adianta que, a partir de agosto, haverá um mutirão para cirurgias bariátricas, de cabeça e pescoço, e em pacientes ostomizados. A ação deve beneficiar cerca de 600 pessoas.
Com assistência de média e alta complexidade o Centro Hospitalar Jean Bitar dispõe de 60 leitos e mantém o único Laboratório de Habilidades Videolaparoscópicas da região, além de ser referência estadual para endoscopia digestiva, endocrinologia, reumatologia, geriatria, pneumologia e clínica médica. Os usuários do centro contam com uma equipe de especialistas, estrutura, equipamento e tecnologias de ponta para realização de cirurgias de parede abdominal e gástrica, e ainda para cirurgias nas vias biliares e intestino.
Serviço: O Centro Hospitalar Jean Bitar fica na Rua Cônego Jerônimo Pimentel, Umarizal, em Belém. Mais informações: (91) 3239-3800.